ENTREVISTA

Jaqueline Guerreiro: Entrevista com a Youtuber paranaense que conta histórias de crimes para três milhões de inscritos e também dá visibilidade a casos ainda não resolvidos

Por Clara Jardim

Ela é jornalista, tem 26 anos e acumula 3 milhões de inscritos no Youtube conquistados ao longo dos últimos anos com vídeos sobre true crime. Mas que gênero é esse?

Cada vez mais comum nas plataformas de streaming, trata-se de um conteúdo de não-ficção, que aborda a investigação e, muitas vezes, a elucidação de crimes em podcasts, séries documentais e posts nas redes.

Crédito: @renataguimaraess_

Histórias de serial killers, pessoas desaparecidas, vítimas de assassinato e muitos mistérios desvendados (ou não) depois de décadas podem ser encontradas no canal do Quinta Misteriosa. Mesmo casos recentes como o da influenciadora digital Mariana Ferrer, que acusa o empresário André de Camargo Aranha de estupro durante uma festa, em 2018, no Café de La Musique de Florianópolis. A pedido da própria Mariana, a Youtuber contou a história em um vídeo que já soma mais de 1 milhão e 530 mil visualizações.

Outro caso brasileiro e recente narrado por Jaqueline é o da menina Beatriz Angélica, que foi morta com mais de 40 facadas, em 2015, dentro da própria escola (o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, de Pernambuco). A pedido da família, Jaqueline levou as informações do caso para a plataforma em um vídeo que alcançou mais de 1 milhão e 224 mil acessos até hoje.

Sim, a paranaense sempre foi especialmente interessada no que tange o universo investigativo (seu TCC foi um documentário a respeito da violência obstétrica), e desempenha o storytelling em formato multimídia trazendo conscientização e promovendo o respeito às vítimas e suas famílias acima de tudo.

Quais serão os próximos passos da Youtuber? Em entrevista à Uma Revista, Jaque compartilha mais sobre o Quinta Misteriosa.

Clara Jardim: Quais são os casos que você considera mais difíceis de gravar?
Jaqueline Guerreiro: Acho que os casos brasileiros são os mais difíceis, no geral mesmo. Por estarem mais próximos de mim, acabam sendo mais difíceis…

Clara Jardim: O episódio sobre o caso Mariana Ferrer dominou os trending topics no Twitter. Como foi a experiência de participar dessa luta por justiça de uma forma tão ativa?
Jaqueline Guerreiro
: Quando a Mari entrou em contato comigo e pediu para que eu contasse seu caso, imediatamente aceitei ajudar. Ela sofreu e sofre muito com tudo que aconteceu. Então, no dia que o caso foi ao ar, o assunto realmente dominou o Twitter e outras redes também. Fico feliz em poder ajudar!

Clara Jardim: Geralmente, você traz histórias mais antigas, mas também já trouxe algumas recentes, sem solução até hoje, a pedido de algumas famílias. Como foi o processo de gravar sobre a Beatriz Angélica Mota?
Jaqueline Guerreiro
: Não gravar casos recentes foi uma decisão minha mesmo, mas em alguns casos quando a família entra em contato comigo e me pede, eu sempre penso com carinho. Hoje, meu canal está com muita visibilidade… Então, eu preciso ter muito cuidado na forma em que narro os casos. Conversei com a família da Beatriz por dias até o roteiro ficar pronto. Foi uma pesquisa muito extensa, mas que também ajudou muito a família, então, sei que meu papel foi cumprido.

Clara Jardim: Você sempre incentiva que os inscritos no canal interajam nos comentários, discutindo os casos e mandando sugestões. Quais foram as interações mais legais com seus seguidores até hoje?
Jaqueline Guerreiro
: Já houve alguns casos em que pessoas que tiveram algum tipo de contato com os envolvidos comentaram. E isso é muito doido porque mostra realmente como esses casos estão mais próximos de nós do que parece! Também, tenho muitos inscritos que moram nos Estados Unidos, e comentam coisas sobre os casos; é sempre muito legal!

Clara Jardim: Quais seus planos para o futuro de toda essa criação de conteúdo que já faz esse sucesso todo?
Jaqueline Guerreiro: A ideia é focar mais no Tiktok e no Podcast, trazer mais conteúdos exclusivos por lá. Sei que meu público gosta e pede muito, então, às vezes, fica difícil de conciliar, mas eu vou tentar!