ENTREVISTA

Depois de desbravar Alter do Chão para o Globo Repórter, a apresentadora Tatiana Nascimento conta os bastidores da sua aventura: “É um programa que tem muito de mim, do meu jeito de ver e aproveitar a vida”

Por Clara Jardim

Amanhã, no Globo Repórter, a jornalista Tatiana Nascimento desbrava Alter do Chão, um vilarejo de 260 anos conhecido como Paraíso Amazônico em uma edição de muita riqueza natural, e conta os detalhes à Uma Revista.

Clara Jardim: Como surgiu a ideia de fazer um programa sobre Alter do Chão?

Tatiana Nascimento: Eu tenho duas amigas que foram pra Alter em 2016. Gostei das fotos e comecei a pesquisar o lugar que eu não conhecia. Nessa pesquisa, descobri o aquífero, o maior do planeta, a floresta encantada, que só pode ser visitada de canoa na época das cheias, e outras particularidades do lugar. Aí me deu vontade de mostrar esse vilarejo que tem a sua rotina determinada pelas águas, pelo sobe e desce dos rios. Foi assim que o programa nasceu. Formamos uma equipe, aprimoramos o trabalho de pesquisa e partimos para as gravações.

Clara Jardim: Você é uma mulher que gosta de colocar o pé na estrada… Seja a trabalho ou de férias, tem energia de viajante e, nesse programa, dá para ver que se divertiu muito!

Tatiana Nascimento: Viagem é algo que sempre alimenta você de alguma maneira… Desperta curiosidades, agrega conhecimento. E é, para mim, uma dos maiores prazeres da vida! Aprendo muito em todas as viagens que faço e guardo as melhores recordações. Esse trabalho nos deu uma alegria imensa, a toda a equipe. É um lugar com uma energia muito forte e com uma natureza abundante. Eu me envolvi em tudo o que fiz ali de maneira muito espontânea e verdadeira. Joguei-me nas aventuras e me diverti em todas elas. É um programa que tem muito de mim, do meu jeito de ver e aproveitar a vida. E a equipe foi sensacional! Todos com empenho, entrega e muito talento! As imagens do programa falam por si!

Clara Jardim: Para mim, uma das coisas mais impressionantes foi a floresta encantada. Para você, qual locação teve maior impacto? Ah, você foi mordida por uma tartaruga, fizeram as pazes?

Tatiana Nascimento: A floresta encantada, sem dúvida, e o encontro das águas! Mas de fato amei tudo lá! Lindo demais. A tartaruga, uma fofa (risos)! Eu é que me aproximei demais!

Clara Jardim: Como foi o processo de gravar imagens tão diferentes de um mesmo lugar?

Tatiana Nascimento: Estivemos em Alter do Chão em dois períodos. Na época da cheia, em março, e depois retornamos em outubro, já na época da seca, quando surgem as praias de águas cristalinas do Rio Tapajós. Concluídas as gravações, veio a fase do roteiro e edição, o que demorou mais uns dois meses!

Clara Jardim: Deu medo?

Tatiana Nascimento: Fiquei tensa com o rapel na torre climática. Tive receio de não conseguir fazer e, graças a Deus, correu tudo bem! E, a todo momento, nossa preocupação era de conseguir traduzir toda a beleza e riqueza daquele paraíso que ainda guarda um Brasil muito genuíno e preservado!

Clara Jardim: A invasão da Vila Cruzeiro e do morro do Alemão estão entre as coberturas mais marcantes feitas por você. No Carnaval, entradas ao vivo e entrevistas com personalidades como Ivete Sangalo! E quem não lembra do escândalo do Doutor Bumbum, que você noticiou do início ao fim? Como faz para dominar temas tão distintos no dia a dia do trabalho de repórter?

Tatiana Nascimento: Eu me considero uma profissional versátil porque acho que consigo falar de assuntos distintos, realmente. Talvez, domine mais uns e menos outros, mas para isso que existem as fontes, que nos ajudam a entender um pouco de cada tema. Não tem uma fórmula, no entanto, o que sempre procuro fazer é me envolver com as histórias e os personagens que fazem parte dela. É você olhar para uma cena, alegre ou triste e pensar: Como contar isso? Por que contar essa história? E, hoje, eu aprendi que é me integrando ao que estou reportando que vou conseguir tirar dali o meu melhor, ou pelo menos tentar!

O programa, que foi ao ar em março de 2019, será reprisado às 23h.

Foto: Luana Alves