Quando cheguei ao título Canção de Ninar, em 2018, foi por ter lido que se tratava de um suspense e tanto, já sabendo que Leïla Slimani havia vencido o Goncourt (um prestigiado prêmio francês de literatura) pela história. E, mesmo oito anos depois da leitura, ainda me lembro do quanto a autora me segurou do início ao fim…
Eu não sabia, mas ela havia construído a trama a partir de um crime real, que aconteceu em Nova York, seis anos antes: uma babá chamada Yoselyn Ortega tirou a vida das duas crianças que cuidava (Lucia e Leo Krim, de 6 e 2 anos). Nos tribunais, alegou ter tido um surto de loucura, mas foi condenada à prisão perpétua.
Para quem consome obras de True Crime ou ficção investigativa, no entanto, esta é uma narrativa bastante diferente: ela entrega o crime na primeira página, deixando-nos com a história intimista e densa por traz dele para desvendar.
Dou destaque para uma cena em especial: quando a polícia encontra o menino que foi cuidado por Louise, a babá da história, antes de ela trabalhar para a fatídica família que destruiria. É uma passagem curta, porém, que contém a beleza (do alívio e da sorte) de quem entende ter sobrevivido a algo muito ruim sem saber.
Sinopse do livro, publicado pela Editora Planeta no Brasil: “Apesar da relutância do marido, Myriam, mãe de duas crianças pequenas, decide voltar a trabalhar em um escritório de advocacia. O casal inicia uma seleção rigorosa em busca da babá perfeita e fica encantado ao encontrar Louise: discreta, educada e dedicada, ela se dá bem com as crianças, mantém a casa sempre limpa e não reclama quando precisa ficar até tarde. Aos poucos, no entanto, a relação de dependência mútua entre a família e Louise dá origem a pequenas frustrações, até o dia em que ocorre uma tragédia”.
Crédito: Reprodução / Vogue France (foto: Goldie Williams, réalisation: Dan Sablon)



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